Ela começa como passatempo: uma aposta no jogo do fim de semana, um palpite entre amigos. No entanto, para muitas pessoas, a aposta deixa de ser diversão e passa a ocupar o pensamento, o dinheiro e o tempo da família.
Quando isso acontece, não se trata de falta de força de vontade. Na verdade, reconhecer os sinais da ludopatia é o primeiro passo para buscar ajuda. E o SUS oferece atendimento gratuito para quem aposta e também para quem convive com o problema.
Ludopatia é doença?
Sim. O transtorno do jogo, conhecido como ludopatia, é reconhecido como um transtorno de comportamento aditivo pela Classificação Internacional de Doenças (CID) e pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM).
Em outras palavras, a pessoa perde o controle sobre o hábito de apostar, mesmo diante de prejuízos claros. Por isso, o cuidado envolve profissionais de saúde mental, e não apenas conselhos financeiros.
Ainda assim, a procura por ajuda é pequena. Em 2025, o SUS realizou 6.157 atendimentos presenciais relacionados a jogos e apostas. Segundo o Ministério da Saúde, muita gente deixa de procurar atendimento por vergonha, medo de julgamento ou dificuldade de admitir o problema.
Quais são os sinais da ludopatia?
O Ministério da Saúde lista alguns comportamentos que merecem atenção:
- esconder de alguém quanto tempo ou dinheiro está gastando com apostas;
- tentar recuperar o que perdeu apostando mais;
- comprometer contas, salário ou economias;
- perder o sono e ficar mais irritado ou ansioso;
- sentir alívio só quando está apostando;
- pensar em apostar mesmo quando não está jogando;
- deixar de fazer coisas importantes por causa das apostas;
- ter discussões em casa por causa do jogo.
Além disso, os sinais costumam aparecer aos poucos. Assim, familiares e amigos muitas vezes percebem a mudança antes da própria pessoa.
Onde buscar ajuda no SUS?
O atendimento é gratuito e pode começar de diferentes formas, conforme a necessidade de cada pessoa.
Teleatendimento pelo Meu SUS Digital
Desde março de 2026, o SUS oferece teleatendimento em saúde mental para maiores de 18 anos com problemas relacionados a jogos e apostas, e também para familiares. O serviço é gratuito e sigiloso. Para acessar:
- abra o aplicativo ou a versão web do Meu SUS Digital e entre com a conta gov.br;
- toque em “Miniapps” e escolha “Problemas com jogos de apostas?”;
- responda ao autoteste.
Quando o autoteste indica risco moderado ou elevado, a pessoa é encaminhada para o teleatendimento, feito por videochamada. Em agosto, a oferta foi ampliada para até 100 mil atendimentos por mês.
Atendimento presencial
Além do teleatendimento, a rede pública conta com outras portas de entrada:
- Unidade Básica de Saúde (UBS): indicada quando os sinais começam a aparecer e a pessoa quer conversar com alguém de confiança;
- Centro de Atenção Psicossocial (CAPS): indicado quando a vontade de apostar tomou conta e o sofrimento ficou difícil de carregar sozinho;
- Centro de Convivência e Cultura (CECO): ajuda a ocupar o tempo e retomar atividades que fazem bem.
Em caso de dúvidas, a Ouvidoria do SUS atende pelo número 136.
E se o problema estiver na família?
A ludopatia também afeta quem está por perto. Por isso, o SUS oferece atendimento gratuito a familiares na UBS e no CAPS, além de orientações sobre como conversar com quem precisa de ajuda.
Nesse momento, acolher funciona melhor do que acusar. Por exemplo, falar sobre o que você tem observado, sem julgamento, abre espaço para que a pessoa aceite procurar apoio.
Em situações de sofrimento intenso, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito e sigiloso pelo telefone 188, 24 horas por dia.
Como reduzir a exposição às apostas?
Algumas atitudes simples ajudam a diminuir os gatilhos do dia a dia. Entre elas, o Ministério da Saúde recomenda:
- deixar de seguir perfis que divulgam apostas;
- não clicar nem compartilhar esse tipo de conteúdo;
- marcar como “não tenho interesse” publicações sobre apostas nas redes sociais;
- bloquear e denunciar perfis que continuem divulgando apostas.
Conclusão: pedir ajuda é um cuidado com a saúde
A ludopatia é uma condição de saúde, tem tratamento e não deve ser enfrentada em silêncio. Portanto, perceber os sinais cedo e buscar apoio faz diferença para a pessoa e para toda a família.
Em resumo, o caminho pode começar com um autoteste no celular, uma conversa na UBS ou uma ligação. O importante é dar o primeiro passo.
Na CMOS Drake, acreditamos que cuidar da vida vai além do corpo. Afinal, saúde mental também é saúde. Se este tema faz sentido para você, leia também nosso artigo sobre estresse e seus impactos na saúde.