Novas recomendações internacionais reforçam a importância do CPAP, enquanto tratamentos com laser e outras tecnologias ampliam as possibilidades de cuidado para pacientes com apneia obstrutiva do sono.
A apneia do sono é um distúrbio respiratório caracterizado por interrupções ou reduções repetidas da respiração durante o sono. Embora o ronco seja um dos sinais mais conhecidos, a condição também pode provocar sonolência durante o dia, cansaço persistente, dificuldade de concentração e alterações na qualidade de vida.
Em outubro de 2026, uma nova diretriz europeia trouxe atualizações importantes sobre o uso do CPAP no tratamento da apneia obstrutiva do sono (AOS). Ao mesmo tempo, pesquisas sobre terapias a laser e outras alternativas têm despertado o interesse de pacientes e profissionais da saúde.
Mas o que realmente mudou? Como essas novidades se aplicam ao Brasil? E qual é o papel do CPAP diante das novas possibilidades terapêuticas?
Nova diretriz de 2026: o que mudou no tratamento da apneia do sono?
Publicada em 11 de outubro de 2026 no European Respiratory Journal, a diretriz conjunta da European Respiratory Society (ERS) e da European Sleep Research Society (ESRS) avaliou os benefícios do CPAP em diferentes grupos de pacientes adultos.
A principal novidade está na individualização das recomendações.
Em vez de considerar apenas a presença da apneia, o documento analisa fatores como intensidade dos sintomas, sonolência diurna, gravidade dos eventos respiratórios e condições clínicas associadas.
Entre os principais pontos, destacam-se:
- Sonolência diurna excessiva: o CPAP recebeu recomendação forte devido aos benefícios demonstrados.
- Apneia moderada a grave: o CPAP continua sendo uma importante opção terapêutica, com recomendação condicional conforme o perfil clínico.
- Hipertensão arterial: o tratamento pode contribuir para reduzir a pressão arterial em determinados pacientes.
- Pacientes sem sonolência excessiva: a decisão deve considerar outros sintomas, comorbidades e preferências individuais.
Portanto, a nova diretriz não representa uma substituição do CPAP por outras tecnologias. Pelo contrário, reforça sua eficácia e destaca a importância de selecionar corretamente os pacientes.
Qual é a realidade do tratamento com CPAP no Brasil?
No Brasil, a apneia obstrutiva do sono ainda representa um desafio para o diagnóstico e o acompanhamento.
Muitas pessoas convivem com ronco intenso, despertares frequentes e cansaço durante o dia sem reconhecer esses sintomas como possíveis sinais de um distúrbio respiratório.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), a avaliação clínica e os exames do sono são fundamentais para estabelecer o diagnóstico e definir a gravidade da condição.
Além disso, o consenso brasileiro sobre distúrbios respiratórios do sono reconhece a terapia com pressão positiva como tratamento de escolha para pacientes com apneia moderada a grave.
Como funciona o CPAP?
O CPAP, sigla para Continuous Positive Airway Pressure, fornece um fluxo contínuo de ar sob pressão por meio de uma máscara.
Essa pressão ajuda a manter as vias aéreas superiores abertas durante o sono, reduzindo os episódios de obstrução respiratória.
Consequentemente, o tratamento pode diminuir os eventos de apneia, melhorar a sonolência e favorecer a qualidade de vida.
Entretanto, a eficácia depende de fatores como adaptação à máscara, ajustes adequados, acompanhamento profissional e regularidade no uso.
Acesso ao CPAP e acompanhamento no Brasil
O acesso ao diagnóstico e ao tratamento varia entre as regiões brasileiras.
Embora existam serviços especializados na rede pública e privada, ainda há desafios relacionados à disponibilidade de exames, equipamentos e acompanhamento contínuo.
Outro ponto importante é a regulamentação.
A Resolução CFM nº 2.379/2024 estabelece que a indicação e a prescrição do tratamento com CPAP são atos médicos. A prescrição deve considerar as características do paciente e os parâmetros necessários à terapia.
Assim, mais do que adquirir um equipamento, é fundamental contar com avaliação e acompanhamento adequados.
Tratamento da apneia do sono com laser: como funciona?
Entre as alternativas que vêm recebendo atenção está o tratamento a laser, especialmente com a tecnologia Er, aplicada aos tecidos da região do palato e da orofaringe.
Em determinados protocolos, o laser provoca aquecimento controlado dos tecidos, buscando modificar suas características e reduzir a vibração associada ao ronco.
Uma revisão sistemática e metanálise publicada em junho de 2025 analisou estudos sobre essa tecnologia.
Os resultados apontaram melhora do ronco e de indicadores subjetivos de qualidade do sono em pacientes selecionados.
Entretanto, os pesquisadores também destacaram limitações importantes nas evidências disponíveis, especialmente em relação à manutenção dos resultados a longo prazo.
O laser pode substituir o CPAP?
Não de maneira geral.
Embora determinados procedimentos a laser possam apresentar benefícios para pessoas com ronco primário ou casos selecionados de apneia leve a moderada, isso não significa que sejam equivalentes ao CPAP.
Além disso, melhorar o ronco não é necessariamente o mesmo que controlar os episódios de apneia.
Por isso, a indicação deve considerar a gravidade da doença, as características anatômicas e os resultados de exames objetivos.
Em pacientes com apneia moderada a grave, especialmente quando há sonolência importante ou outras condições clínicas associadas, o CPAP continua sendo uma das principais opções respaldadas por evidências.
Quais são as outras alternativas para tratar a apneia do sono?
O tratamento da apneia obstrutiva do sono pode envolver diferentes estratégias, isoladas ou combinadas.
Aparelhos intraorais: utilizados principalmente em pacientes selecionados, ajudam a posicionar a mandíbula de maneira a favorecer a passagem do ar.
Terapia miofuncional: exercícios orientados por profissionais capacitados podem atuar como complemento ao tratamento, conforme a avaliação clínica.
Controle de peso e mudanças de hábitos: em pacientes com excesso de peso, o manejo dessa condição pode contribuir para melhorar a apneia. Reduzir o consumo de álcool e ajustar a posição de dormir também pode ser útil.
Procedimentos cirúrgicos: podem ser considerados quando existem alterações anatômicas relevantes ou situações específicas de intolerância a outras terapias.
Tratamentos farmacológicos: novas abordagens vêm sendo estudadas e utilizadas em perfis selecionados, especialmente quando há obesidade associada. Entretanto, não substituem automaticamente as demais opções.
Dessa forma, a tendência atual é combinar evidências científicas, características individuais e acompanhamento especializado.
CPAP Oxygênis: tecnologia e cuidado respiratório
Diante da evolução dos tratamentos, os equipamentos de pressão positiva continuam ocupando um espaço importante na assistência a pessoas com distúrbios respiratórios do sono.
A CMOS DRAKE, por meio de sua linha CPAP Oxygênis, integra esse cenário de tecnologias voltadas ao cuidado respiratório.
O uso de equipamentos de pressão positiva, quando devidamente indicado e ajustado, faz parte de uma abordagem terapêutica que busca manter as vias aéreas abertas durante o sono.
Além disso, a orientação profissional, a escolha adequada da interface e o acompanhamento da adaptação são fundamentais para a continuidade do tratamento.
A tecnologia, portanto, deve atuar em conjunto com a avaliação clínica, e não substituí-la.
O futuro do tratamento da apneia do sono é personalizado
A publicação da nova diretriz europeia em 2026 demonstra que a evolução da medicina do sono não depende apenas do desenvolvimento de novos equipamentos ou procedimentos.
Ela também envolve compreender quais pacientes apresentam maior benefício com cada intervenção.
Nesse contexto, o CPAP mantém sua relevância clínica, enquanto tratamentos a laser, aparelhos intraorais e outras abordagens podem ampliar as possibilidades para casos específicos.
No Brasil, entretanto, um dos desafios mais importantes continua sendo facilitar o diagnóstico e garantir acompanhamento adequado.
Afinal, reconhecer os sintomas e iniciar o tratamento indicado pode fazer diferença na qualidade do sono, na saúde e no bem-estar.
A CMOS DRAKE acompanha a evolução das tecnologias em saúde e reforça a importância de soluções respiratórias associadas à segurança, à orientação profissional e ao cuidado individualizado.
Perguntas frequentes sobre apneia do sono
O CPAP ainda é recomendado em 2026?
Sim. A diretriz europeia de outubro de 2026 confirma a eficácia do CPAP no tratamento da apneia obstrutiva do sono, com recomendações que variam conforme os sintomas e as características do paciente.
O laser cura a apneia do sono?
Não há evidências suficientes para afirmar que o laser cure a apneia do sono de forma geral. Alguns estudos mostram benefícios em pacientes selecionados, mas os resultados dependem de diversos fatores.
Qual é o tratamento mais indicado para apneia moderada a grave?
A terapia com pressão positiva, incluindo o CPAP, permanece entre as principais opções recomendadas. A escolha depende da avaliação médica individualizada.
É possível tratar a apneia sem CPAP?
Sim, em determinadas situações. Aparelhos intraorais, intervenções comportamentais e procedimentos específicos podem ser considerados, conforme a gravidade e o perfil do paciente.
Quem pode prescrever CPAP no Brasil?
A prescrição é um ato médico, conforme a Resolução CFM nº 2.379/2024.
Referências científicas
- European Respiratory Society / European Sleep Research Society. Clinical practice guideline for continuous positive airway pressure for the treatment of adult obstructive sleep apnoea. European Respiratory Journal, 2026. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/42860272/
- Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Apneia do Sono. https://sbpt.org.br/portal/publico-geral/doencas/apneia-do-sono/
- Jornal Brasileiro de Pneumologia. Consenso em Distúrbios Respiratórios do Sono da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. https://jbp.org.br/details/3708/pt-BR/consenso-em-disturbios-respiratorios-do-sono-da-sociedade-brasileira-de-pneumologia-e-tisiologia
- Effectiveness of the Er Laser in Snoring Treatment Based on Systematic Review and Meta-Analysis Results. Journal of Clinical Medicine, 2025. https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/40566115/
- Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2.379/2024. https://portal.cfm.org.br/noticias/cfm-reconhece-medicina-do-sono-como-ato-exclusivo-do-medico/