Novembro chegou, e com ele o laço azul nas fachadas, nas redes sociais e nos consultórios. Inicialmente, a campanha ficou conhecida pela prevenção do câncer de próstata. Mas, nos últimos anos, ela ganhou um olhar mais amplo sobre a saúde masculina, que inclui um tema pouco lembrado: a apneia do sono.
Na prática, Novembro Azul e apneia do sono têm mais em comum do que parece. Afinal, os homens estão entre os mais afetados pela apneia obstrutiva, e muitos convivem com ela sem saber.
O Novembro Azul vai além da próstata?
Sim. Atualmente, o Ministério da Saúde trabalha a campanha na perspectiva da saúde integral do homem. Ou seja, a ideia é usar o mês para alertar sobre todos os cuidados, incluindo hábitos, saúde mental e doenças crônicas.
De fato, a preocupação tem base nos números. Segundo o IBGE, a expectativa de vida dos homens no Brasil é de 73,3 anos, contra 79,9 anos das mulheres. São 6,6 anos de diferença.
Parte dessa diferença está ligada a doenças que avançam em silêncio. E a apneia do sono é uma delas.
Por que a apneia do sono é mais comum nos homens?
A apneia obstrutiva do sono acontece quando a via aérea se fecha, total ou parcialmente, várias vezes durante a noite. Consequentemente, cada pausa reduz a oxigenação do sangue e fragmenta o descanso.
O maior estudo populacional brasileiro sobre o tema, o EPISONO, avaliou mais de mil moradores de São Paulo com polissonografia. O resultado: 32,8% dos participantes tinham a síndrome. Além disso, os homens apresentaram associação cerca de quatro vezes maior com a doença do que as mulheres.
Segundo o consenso da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT), alguns fatores ajudam a explicar essa diferença:
- primeiramente, a via aérea masculina tende a ser mais longa e mais colapsável;
- além disso, os homens costumam ter maior circunferência do pescoço;
- por fim, a gordura acumulada nessa região estreita a passagem do ar.
Idade e excesso de peso aumentam ainda mais o risco. Por isso, o homem acima dos 40 anos, com barriga saliente e ronco alto, é um perfil clássico. Mas não é o único.
Qual é a relação entre apneia e saúde do coração?
Durante as pausas respiratórias, o organismo entra em estado de alerta. Em seguida, a frequência cardíaca oscila, a pressão sobe e o sistema nervoso é ativado repetidas vezes ao longo da noite.
Dessa forma, com o tempo, essa sobrecarga deixa marcas. O consenso da SBPT associa a apneia, principalmente nas formas mais graves, a hipertensão, arritmias como a fibrilação atrial, doença arterial coronariana e AVC.
Os números chamam atenção:
- até metade das pessoas com apneia tem hipertensão;
- cerca de 30% dos hipertensos têm apneia;
- na hipertensão resistente, essa proporção pode chegar a 80%.
Além disso, a sonolência causada pela apneia não tratada aumenta de duas a três vezes a chance de acidentes de trânsito. Quer entender melhor essa ligação? Leia também Apneia do sono e hipertensão e Apneia do sono é sinal de alerta para problemas cardíacos.
Quais sinais o homem não deve ignorar?
No entanto, muitas vezes quem percebe primeiro é quem divide o quarto. Fique atento a:
- ronco alto e frequente;
- pausas na respiração observadas por outra pessoa;
- engasgos ou despertares com sensação de sufocamento;
- sonolência durante o dia, mesmo após uma noite inteira na cama;
- dor de cabeça ao acordar, irritabilidade e dificuldade de concentração;
- pressão alta difícil de controlar.
Se esses sinais aparecem, vale conversar com um médico. Em seguida, o diagnóstico é feito com um exame do sono, como a polissonografia. Para uma primeira reflexão, faça também o quiz Você tem apneia do sono?
Como a apneia do sono é tratada?
O tratamento depende da gravidade e do perfil de cada paciente. Por exemplo, mudanças de hábito, como perder peso, evitar álcool à noite e não dormir de barriga para cima, ajudam em muitos casos. Em quadros leves a moderados, aparelhos intraorais também são uma opção.
Para a apneia moderada a grave, a terapia com pressão positiva, como o CPAP, é o tratamento de escolha. Assim, o aparelho mantém a via aérea aberta durante o sono por meio de um fluxo contínuo de ar. Em estudos com pacientes com apneia relevante, o uso regular do CPAP reduziu a pressão arterial.
Contudo, o segredo está na adesão. O CPAP só funciona se for usado todas as noites, e o acompanhamento faz diferença. Segundo o consenso da SBPT, o telemonitoramento aumentou a adesão ao tratamento em comparação ao acompanhamento habitual.
Vale lembrar: a indicação e a prescrição do CPAP são atos médicos.
Conclusão: neste Novembro Azul, cuide também do seu sono
O Novembro Azul é um convite para o homem olhar para a própria saúde por inteiro. Isso inclui a próstata, o coração, a mente e também as noites de sono.
Portanto, ronco alto, cansaço constante e pressão descontrolada não são “coisas da idade”. Podem ser sinais de apneia, uma condição comum, tratável e diretamente ligada à saúde do coração.
Nesse sentido, a CMOS Drake apoia esse cuidado com tecnologia nacional. O CPAP Oxygênis conta com telemonitoramento, que permite ao profissional de saúde acompanhar os dados da terapia e ajustar o tratamento com mais precisão. Converse com seu médico e não deixe o sono para depois.
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