As ondas de calor estão se tornando mais frequentes e intensas em diferentes regiões do mundo. Além do desconforto causado pelas altas temperaturas, existe uma relação importante entre calor extremo e risco cardiovascular, principalmente entre idosos e pessoas que já convivem com doenças do coração.
Quando a temperatura sobe demais, o organismo precisa trabalhar mais para manter a temperatura corporal adequada. Como consequência, o sistema cardiovascular também enfrenta uma sobrecarga.
Por isso, entender como o calor afeta o coração, reconhecer os sinais de alerta e adotar medidas preventivas pode ajudar a proteger a saúde durante os períodos mais quentes.
Calor extremo e risco cardiovascular: como o coração é afetado?
Em dias muito quentes, o organismo ativa diferentes mecanismos para eliminar calor e manter a temperatura interna adequada.
Um deles é a vasodilatação. Nesse processo, os vasos sanguíneos se dilatam para aumentar a circulação de sangue próximo à pele e facilitar a perda de calor.
Além disso, a transpiração aumenta. Consequentemente, o organismo perde líquidos e eletrólitos pelo suor, o que pode favorecer a desidratação.
Nesse cenário, o coração precisa trabalhar mais para manter a circulação adequada. Assim, a frequência cardíaca pode aumentar e a pressão arterial pode sofrer alterações.
Em pessoas saudáveis, o organismo geralmente consegue se adaptar. No entanto, pacientes com doenças cardiovasculares ou outros fatores de risco podem apresentar maior dificuldade para compensar essas mudanças.
O calor extremo aumenta o risco de infarto?
Diversos estudos apontam uma associação entre temperaturas extremas e maior mortalidade por doenças cardiovasculares.
Uma ampla análise publicada na revista Circulation avaliou dados de 567 cidades em 27 países. Os pesquisadores encontraram associação entre temperaturas extremamente altas e aumento do risco de morte por diferentes causas cardiovasculares, incluindo doença isquêmica do coração, AVC e insuficiência cardíaca.
Além disso, uma revisão sistemática e meta-análise publicada no The Lancet Planetary Health identificou aumento do risco cardiovascular relacionado à exposição ao calor. Segundo o estudo, as ondas de calor foram associadas a um aumento de aproximadamente 17% no risco de mortalidade cardiovascular. Entretanto, esse impacto pode variar conforme a intensidade do calor, as características da população e as condições locais.
No Brasil, o tema também merece atenção. Um estudo sobre ondas de calor e mortalidade cardiovascular no Sudeste brasileiro analisou o período entre 2014 e 2023. Os pesquisadores identificaram associação entre episódios de calor extremo e maior mortalidade cardiovascular, especialmente entre idosos e moradores de grandes regiões metropolitanas.
Portanto, a relação entre calor extremo e risco cardiovascular não deve ser ignorada, sobretudo durante ondas de calor prolongadas.
Por que o calor pode sobrecarregar o sistema cardiovascular?
O impacto das altas temperaturas ocorre por diferentes mecanismos.
Primeiramente, o coração pode aumentar sua frequência para levar mais sangue até a pele. Ao mesmo tempo, a vasodilatação pode contribuir para alterações na pressão arterial.
Além disso, a transpiração intensa favorece a perda de líquidos e eletrólitos. Como resultado, a desidratação pode exigir ainda mais do sistema cardiovascular.
Entre as principais alterações relacionadas ao calor estão:
- aumento da frequência cardíaca;
- vasodilatação;
- alterações na pressão arterial;
- perda de líquidos e desidratação;
- alterações nos níveis de eletrólitos;
- maior esforço cardíaco.
Além desses fatores, existem evidências de mecanismos relacionados à inflamação e à formação de coágulos durante situações de calor extremo. Dessa forma, pessoas vulneráveis podem apresentar maior risco de complicações cardiovasculares.
Quem apresenta maior risco cardiovascular no calor extremo?
Embora qualquer pessoa possa sofrer os efeitos das temperaturas elevadas, alguns grupos precisam de atenção especial.
Entre eles estão idosos, pessoas com doenças cardiovasculares, pacientes com insuficiência cardíaca ou hipertensão e indivíduos com outras doenças crônicas. Pessoas que trabalham ou permanecem por longos períodos expostas ao calor também precisam redobrar os cuidados.
Os idosos merecem atenção adicional. Isso acontece porque a capacidade do organismo de regular a temperatura pode diminuir com o envelhecimento. Além disso, é comum que essa população apresente outras doenças e utilize medicamentos continuamente.
Por outro lado, pacientes que utilizam medicamentos cardiovasculares não devem interromper ou modificar o tratamento por conta própria durante períodos de calor. Qualquer mudança deve ser avaliada pelo profissional de saúde responsável.
Quais sinais de alerta merecem atenção?
Durante períodos de temperaturas muito elevadas, alguns sintomas não devem ser ignorados, principalmente em pessoas pertencentes aos grupos de risco.
Entre os principais sinais de alerta estão:
- dor ou pressão no peito;
- falta de ar;
- palpitações;
- tontura intensa;
- desmaio;
- confusão mental;
- fraqueza intensa;
- alterações importantes da pressão arterial;
- piora repentina de sintomas cardiovasculares já existentes.
Por exemplo, dor no peito acompanhada de falta de ar, suor intenso, mal-estar ou perda de consciência pode indicar uma emergência. Nesses casos, o atendimento médico deve ser imediato.
Em situações de parada cardiorrespiratória, cada minuto também é decisivo. Por isso, vale entender o que é um DEA e qual a importância do desfibrilador externo automático em situações de emergência.
Calor extremo e risco cardiovascular: qual a importância da monitorização?
Em ambientes assistenciais, reconhecer rapidamente alterações fisiológicas pode fazer diferença na condução do paciente.
Por isso, parâmetros como frequência cardíaca, pressão arterial, saturação de oxigênio (SpO₂), frequência respiratória, temperatura e atividade elétrica do coração fornecem informações importantes para a equipe de saúde.
Além disso, acompanhar esses parâmetros de forma contínua permite identificar alterações que exigem investigação ou intervenção.
Nesse contexto, os monitores multiparamétricos da CMOS DRAKE permitem acompanhar diferentes sinais vitais e auxiliam os profissionais na avaliação da condição clínica do paciente.
A monitorização adequada se torna ainda mais relevante para pacientes vulneráveis, principalmente quando diferentes fatores de risco estão presentes simultaneamente.
Como reduzir os riscos cardiovasculares em dias muito quentes?
Algumas medidas podem ajudar o organismo a enfrentar melhor os períodos de calor intenso.
Entre elas:
- manter hidratação adequada ao longo do dia;
- evitar exposição direta ao sol nos horários mais quentes;
- permanecer, sempre que possível, em ambientes frescos e ventilados;
- utilizar roupas leves;
- evitar atividades físicas intensas nos períodos de maior temperatura;
- acompanhar condições cardiovasculares preexistentes;
- seguir corretamente as orientações médicas e o tratamento prescrito.
Além disso, pacientes que possuem restrição de líquidos, como algumas pessoas com insuficiência cardíaca ou doença renal, devem seguir especificamente as recomendações da equipe responsável pelo tratamento.
Calor extremo e risco cardiovascular exigem atenção
As altas temperaturas não representam apenas desconforto. Pelo contrário, evidências científicas mostram uma associação entre calor extremo e risco cardiovascular, especialmente entre as populações mais vulneráveis.
Por isso, prevenção e informação são fundamentais. Da mesma forma, a identificação precoce de alterações clínicas e a monitorização dos sinais vitais contribuem para uma assistência mais preparada diante dos impactos das temperaturas extremas.
Com episódios de calor intenso cada vez mais relevantes para a saúde pública, compreender seus efeitos sobre o coração é também uma forma de promover prevenção, segurança e cuidado.
Referências
- AL-AHMAD, B. et al. Associations Between Extreme Temperatures and Cardiovascular Cause-Specific Mortality: Results From 27 Countries. Circulation.
- LIU, J. et al. Heat exposure and cardiovascular health outcomes: a systematic review and meta-analysis. The Lancet Planetary Health.
- PubMed. Estudos científicos sobre temperaturas extremas, ondas de calor e mortalidade cardiovascular.