Acidentes são uma das principais causas de morte entre crianças de 1 a 14 anos no Brasil, segundo a ONG Criança Segura. Em muitas situações, a prevenção ou um atendimento rápido e bem executado poderia evitar o pior. É por isso que falar sobre primeiros socorros nas escolas é essencial e obrigatório por lei.
A Lei Lucas reforça essa importância: criada após a morte do menino Lucas Begalli, a norma exige a capacitação de professores e funcionários do ensino infantil e básico (público ou privado) para atender emergências.
Neste artigo, você encontra orientações práticas, listas de materiais e procedimentos para agir com segurança em situações críticas.
Primeiros socorros nas escolas – Itens do Kit
Um kit de primeiros socorros deve estar completo, acessível e adaptado a diferentes tipos de emergências. Confira os itens indispensáveis:
- Gaze, compressa, atadura, micropore, esparadrapo
- Luvas descartáveis, soro fisiológico, álcool 70%, água oxigenada
- Tesoura sem ponta, termômetro, pinça, antissépticos
- Repelente, pomada para queimadura, medicamentos básicos
- E Desfibrilador Externo Automático (DEA)
Além disso, outros materiais úteis incluem tala de imobilização, torniquete elástico, lençóis descartáveis e lanterna.
- Confira a cartilha de Primeiros Socorros nas Escolas do MEC e Ministério da Saúde para uma lista completa.
Telefones de emergência
Em momentos de acidentes é bastante comum que nos esqueçamos de informações importantes como números de emergência. E ligar para o resgate é a primeira e mais importante ação que deve ser tomada em casos de acidentes.
- SAMU: 192
- Bombeiros: 193
- Polícia Militar: 190
- Defesa Civil: 199
- Disque Intoxicação (Anvisa): 0800 722 6001
Deixe esses números visíveis e salvos em locais estratégicos da escola.
Casos mais comuns e como agir em situações de emergência nas escolas
Conhecer as principais ocorrências e saber como agir pode salvar vidas. Abaixo, reunimos os acidentes mais frequentes em ambiente escolar e os procedimentos recomendados de primeiros socorros, com base em orientações da ONG Criança Segura e do Ministério da Saúde:
1. Sufocamento e Engasgo
É comum crianças pequenas engasgarem com alimentos ou pequenos objetos. Nestes casos:
- Examine a boca e o nariz da criança em busca do objeto obstrutor. Se visível e acessível, tente remover com cuidado usando os dedos ou uma pinça.
- Incentive a tosse. Em muitos casos, isso pode liberar a via aérea.
- Se a obstrução persistir, aplique a manobra de Heimlich (para crianças maiores):
- Abrace a criança por trás, com as mãos posicionadas acima do umbigo.
- Com firmeza, pressione para dentro e para cima repetidamente.
- Nunca levante os braços da criança ou jogue sua cabeça para trás, pois isso pode agravar a obstrução.
Atenção: Em bebês, a técnica é diferente. Veja orientações oficiais do Governo com demonstrações corretas para diferentes idades.
2. Parada Cardiorrespiratória
Pode ocorrer como consequência de engasgos, afogamentos ou outras intercorrências graves. Em caso de parada:
- Inicie imediatamente a RCP (reanimação cardiopulmonar) com compressões torácicas (30 compressões seguidas de 2 ventilações, se possível).
- Utilize o Desfibrilador Externo Automático (DEA) assim que disponível.
- Cada minuto sem atendimento reduz em até 10% a chance de sobrevivência, além de aumentar os riscos de dano cerebral irreversível.
3. Intoxicação
Objetos e substâncias químicas também representam risco. Fique atento a sinais como vômito, sonolência, dificuldade para respirar ou queimaduras.
- Identifique e afaste a fonte da intoxicação.
- Não provoque vômito, a menos que indicado por profissional de saúde.
- Encaminhe a criança ao serviço médico, levando a embalagem da substância ingerida, se possível.
- Ligue para o Disque-Intoxicação: 0800 722 6001.
4. Sangramento Nasal
Comum em dias secos, após quedas ou devido a infecções respiratórias.
- Sente a criança com o tronco ereto e a cabeça levemente inclinada para frente.
- Pressione a narina afetada por 5 a 10 minutos.
- Se o sangramento persistir, aplique compressa gelada na base do nariz.
- Leve a criança ao pronto atendimento se não houver melhora.
5. Convulsões
Convulsões assustam, mas geralmente duram pouco e podem ser controladas com calma:
- Afaste objetos próximos para evitar lesões.
- Deite a criança de lado e afrouxe suas roupas.
- Nunca tente conter os movimentos nem reanimar com tapas.
- Coloque um pano entre os dentes para evitar mordida da língua.
- Após a crise, leve a criança para avaliação médica e observe se há alteração de cor ou pulso.
6. Afogamento
Mesmo em atividades supervisionadas, afogamentos podem acontecer, especialmente entre crianças pequenas.
- Retire a criança da água com cuidado, mantendo a cabeça alinhada com o corpo.
- Verifique se ela está consciente e respirando.
- Se estiver inconsciente, inicie RCP imediatamente e acione o resgate.
- Caso a criança esteja consciente, mantenha-a deitada de lado, aquecida e sob observação.
Dica de prevenção: Instale cercas ao redor de piscinas, use boias ou coletes adequados à idade e nunca deixe crianças sozinhas perto da água, mesmo que por poucos segundos.
Conclusão: como preparar sua escola para os primeiros socorros
A prevenção é sempre o melhor caminho. Embora kits de primeiros socorros e treinamentos sejam fundamentais, preparar a escola como um todo, da infraestrutura à capacitação de pessoas, é essencial para garantir mais segurança aos alunos e profissionais.
Além dos kits e aulas de primeiros socorros para os professores e funcionários é importante se atentar à infraestrutura do ambiente, buscando identificar possíveis locais sensíveis e propícios a acidentes, principalmente áreas abertas, além de deixar objetivos e produtos sensíveis em locais seguros.
Construir cartilhas e incentivar a educação de segurança para os pequenos também aparecem como opões necessárias.
Para saber como melhorar a segurança na sua escola ou na escola do seu filho, confira 5 ações para melhorar a segurança no ambiente escolar.