Apneia do sono, que atinge mais de 70 milhões de brasileiros, tem riscos maiores do que o ronco

cmosdrake

18/04/2022

Por muito tempo o ronco tem sido visto apenas como um barulho incômodo, e que ainda serve como motivo de piada nas rodas de amigos e familiares. Hoje, porém, os estudos mostram que esse é um dos sinais mais evidentes de apneia do sono, um distúrbio que pode levar a um quadro de saúde muito mais grave e que muitos brasileiros ainda não sabem que têm.

 

No Brasil sobram casos de pessoas que precisam ligar o sinal de alerta para a doença. Segundo um estudo conduzido pelo médico especialista em Medicina do Sono, Sergio Tufik, e outros colaboradores, estima-se que mais de 70 milhões de pessoas possuem o problema. E a maior parte delas passa muito tempo sem saber e sem procurar tratamento adequado.

A título de comparação, a Covid-19, com seu forte poder de contágio, já alcançou 30 milhões de brasileiros – menos da metade dos casos de apneia.

“A apneia do sono é considerada hoje um problema de saúde pública, e isso preocupa. Ela tem um impacto muito negativo no funcionamento do organismo, piora a qualidade de vida e contribui grandemente para o desenvolvimento e agravamento de outras condições clínicas, incluindo doenças do coração. Mas ainda há uma cultura de se preocupar apenas com o barulho do ronco”, explica Flávia Baggio Nerbass, fisioterapeuta do sono da TRINO – terapia respiratória e do sono, pesquisa & ensino –, doutora em ciências, coordenadora do Departamento de Fisioterapia Respiratória nos Distúrbios do Sono da Assobrafir.

 

Nerbass explica que a apneia ocorre quando a respiração é interrompida com certa frequência durante o período do sono. Essa obstrução parcial ou total das vias aéreas é causada pelo relaxamento dos músculos da cavidade oral e garganta. Essas paralisações podem ser rápidas e nem sempre percebidas pelo indivíduo. O ronco, por sinal, é provocado por essa obstrução. Essas pausas comprometem a respiração aumentando o esforço para respirar e reduzindo a quantidade de oxigênio no sangue.

 

Esse esforço leva o coração a intensificar os batimentos e a pressão arterial a subir, o que sobrecarrega o órgão. Num médio-longo prazo, o trabalho cardíaco pode se converter em quadros instalados de pressão alta, risco de arritmia, AVC, insuficiência cardíaca e até mesmo diabetes.

 

“A apneia do sono é um distúrbio respiratório com consequências muito prejudicial ao paciente, com destaque para os riscos cardíacos. O ronco deve ser o sinal de alerta para que as pessoas procurem um especialista, mas também outros sintomas, como acordar com a boca seca, acordar cansado, ter sonolência durante o dia, sentir falta de disposição, perda de memória, dentre outros efeitos”, orienta a fisioterapeuta. “O exame padrão para identificar o problema é a polissonografia. Confirmando-se o diagnóstico de apneia do sono, chega o momento do tratamento. Existem métodos que podem tratar a apneia de maneira bastante eficaz”, explica a fisioterapeuta.

 

Tratamento

 

A fisioterapeuta orienta que, dentre os tratamentos disponíveis para tratar a apneia do sono, um aparelho chamado CPAP é a solução conhecida pelos especialistas como padrão ouro para casos moderados a graves. Mas também pode ser indicado em casos mais leves, quando acompanhados de muitos sintomas e comorbidades. O método não é invasivo e traz resultados rápidos e efetivos. O CPAP consiste num aparelho que, através de uma máscara que cobre o nariz (ou o nariz e a boca) e que deve ser usado durante o sono, é capaz de garantir o fluxo de ar necessário ao paciente para que a apneia não aconteça.

 

“O CPAP emite um fluxo de ar pressurizado que mantém as vias aéreas desimpedidas, permitindo a circulação livre de oxigênio. Se estiver bem ajustado, o uso do aparelho cessa o ronco e abre caminho para o transporte de oxigênio até os pulmões. Esse dispositivo, que foi projetado justamente para ser usado em casa, melhora a qualidade do sono do paciente, resolve muitos sintomas diurnos, reduz os riscos de desenvolver problemas cardiorrespiratórios e melhora a saúde como um todo, trazendo mais qualidade de vida”, explica Flávia Baggio Nerbass.

 

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