Segurança do trabalho passa também pela prevenção com o DEA

Tatielly Moyle

30/04/2022

Os riscos das doenças cardiorrespiratórias também estão presentes em muitos ambientes de trabalho. A constatação é da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Um estudo desenvolvido pelas duas entidades mostra que trabalhadores submetidos a longas jornadas de trabalho estão mais sujeitos a doenças cardíacas e a derrames.

Mas não apenas isso. Os dados da OMS e da OIT revelam que, entre 2000 e 2016, houve um aumento de 29% nas mortes por doenças cardíacas em trabalhadores nessas condições. E somente entre 2016 e 2021, 745 mil pessoas vieram a óbito literalmente por excesso de trabalho. A pesquisa mostra que as mortes tiveram em comum a carga horária superior a 55 horas semanais.

Dito isso, vale a pergunta: se a lei trabalhista estipula a existência de uma comissão interna nas empresas, como não considera a aplicação de meios de prevenção contra doenças graves, particularmente as cardíacas, com forte potencial nos ambientes de trabalho? Embora valesse a pena discorrer juridicamente sobre as fragilidades da legislação, ao menos neste aspecto, não há impedimentos legais para as empresas se resguardarem, o que já direciona a reflexão para outro caminho.

As empresas deveriam equipar-se devidamente, por exemplo, com aparelhos desenvolvidos para prevenir a morte súbita em situações de emergência cardíaca. Nesse caso, o principal exemplo é o Desfibrilador Externo Automático (DEA), equipamento capaz de oferecer atendimento adequado, antes da chegada da equipe de socorro, que pode ser manuseado até mesmo por leigos no atendimento primário a uma vítima de parada cardiorrespiratória.

“O DEA pode ser manuseado por qualquer pessoa, e é a garantia de um socorro rápido capaz de salvar uma vida que não seria salva caso esperasse pela chegada do resgate especializado. E cabe à Cipa, divulgar sobre a existência e localização do DEA na empresa, dar as devidas instruções sobre seu simples manuseio, assim como ter colaboradores preparados para os primeiros socorros em geral”, explica Marco Antônio Marques Félix, médico geriatra, instrutor de Suporte Avançado de Vida pela American Heart Association e especialista da Cmos Drake, empresa fabricante de desfibriladores cardíacos há mais de 30 anos.

O principal motivo que o especialista menciona para que as empresas mantenham o DEA em suas instalações é o tempo entre a parada cardiorrespiratória e a chegada da equipe de atendimento médico. “A partir do momento em que ocorre a arritmia cardíaca maligna, começa uma contagem regressiva de aproximadamente 10 minutos. É este o tempo médio que uma pessoa suporta um problema no coração, pois a cada minuto, a chance de sobrevivência reduz em 10%. Se não há uma garantia de que o atendimento médico chegue dentro desse prazo, também não há uma garantia de que o indivíduo poderá sobreviver. E o DEA aumenta muito as chances, caso o atendimento com o equipamento seja realizado rapidamente, justamente antes da chegada do socorro”, observa Marco Antônio.

Rede de prevenção

O médico também alerta para a necessidade de se criar uma rede de prevenção pronta para atender pessoas que enfrentam o problema. Como a maioria dos casos não acontece dentro dos hospitais, mas em locais que fazem parte do cotidiano das vítimas, é preciso intensificar a presença do DEA, não somente nas empresas, como também em diversos outros locais públicos, assim como os próprios condomínios residenciais.

Por isso, tão importante quanto intensificar os cuidados com a própria saúde do trabalhador, a adoção de DEAs nos ambientes laborais e em locais públicos contribuiriam para formar uma rede integrada de prevenção a morte súbita por acidentes cardiovasculares. Olhar mais para a saude do coração é de fato um caminho que deve ser trilhado com urgência e em caráter de emergência devido aos números alarmantes.

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