Parada cardíaca no esporte: como prevenir e agir diante dos primeiros sinais| Cmos Cast #1

Vamos falar sobre parada cardíaca no esporte? Neste episódio do CMOS Cast, recebemos o Dr. Fred Araújo, fisioterapeuta e Coordenador do Departamento Médico do Betim Futebol Clube, para um bate-papo essencial sobre os riscos cardíacos em diferentes perfis de atletas.

Antes de mais nada, vale um alerta: quem pratica esportes apenas aos finais de semana pode estar mais vulnerável a um evento cardíaco do que atletas de alto rendimento. Por isso, entenda como se preparar, evitar lesões e cuidar do coração enquanto se exercita.

Assista ao vídeo completo e, em seguida, confira o resumo com os principais pontos.

Parada cardíaca no esporte: como prevenir e agir diante dos primeiros sinais

A prática esportiva, especialmente nos finais de semana, é comum entre pessoas que passam a semana em rotinas sedentárias. Porém, o que parece uma tentativa saudável de se exercitar pode esconder riscos sérios à saúde. Muitos eventos cardíacos ocorrem justamente nesses momentos, e saber reconhecer os sinais precoces pode salvar vidas. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, cerca de 90% das mortes súbitas relacionadas à prática esportiva ocorrem em pessoas não atletas, muitas vezes sem diagnóstico prévio.

Neste episódio do CMOS Cast, o médico Dr. Fred Araújo, especialista em fisiologia, medicina esportiva, endocrinologia e neurociência voltada à performance, explica como prevenir e identificar os riscos cardíacos associados ao esporte.

Atleta de final de semana: por que o risco é maior?

Em geral, quem treina esporadicamente não realiza avaliação médica, exames laboratoriais nem acompanhamento profissional contínuo. Consequentemente, mesmo diante de sintomas prévios, a pessoa não está preparada para o esforço.

Segundo o Dr. Fred, é comum surgirem sinais inespecíficos, como mal-estar, náusea leve, dor de cabeça, dor abdominal e tontura, antes de um evento cardíaco. No entanto, por não reconhecerem os alertas do corpo, muitos seguem a atividade e agravam o quadro.

Atletas profissionais também estão sujeitos a paradas cardíacas

Mesmo com todo o suporte médico, avaliações pré-participação e acompanhamento de equipes multidisciplinares, atletas profissionais também estão sujeitos a eventos cardíacos. A exigência física extrema em treinos e competições pode levar o corpo a limites críticos.

Dr. Fred destaca que, embora os exames indiquem boas condições, situações atípicas podem acontecer. Por isso, todos os profissionais envolvidos — como preparadores físicos, fisioterapeutas e nutricionistas — devem estar preparados para identificar alterações e oferecer suporte básico de vida.

Parada cardíaca e sinais de alerta

Os sinais podem ser sutis e variam entre os praticantes. Veja os principais sintomas de alerta durante a prática esportiva:

  • Náusea leve ou sensação de mal-estar
  • Dor de cabeça, especialmente na região da nuca
  • Dor abdominal
  • Fraqueza inexplicável
  • Alterações na visão
  • Palpitações (percepção anormal do ritmo cardíaco)
  • Suor excessivo e pele fria
  • Vermelhidão facial ou palidez repentina

Ao identificar qualquer um desses sintomas, a orientação é interromper a atividade, observar os sinais e buscar atendimento imediato.

A importância do suporte emergencial no ambiente esportivo

A presença de desfibriladores e de pessoas treinadas para o suporte básico de vida é crucial. Dr. Fred ressalta que, em países mais organizados, como os Estados Unidos, é comum encontrar desfibriladores em escolas, academias e locais públicos, com usuários capacitados para operá-los.

No Brasil, apesar de avanços, ainda é preciso desmistificar o uso do desfibrilador. É um equipamento de fácil utilização e pode ser manuseado por qualquer pessoa treinada. Sua presença em clubes, academias, estádios e até viaturas policiais pode fazer a diferença entre a vida e a morte.

Casos reais de parada cardíaca e a urgência de mudança

Situações como a do jogador Serginho, do São Caetano, marcaram a história do futebol brasileiro e reforçaram a necessidade de protocolos de emergência nos esportes. Ainda assim, muitos episódios continuam acontecendo em locais sem estrutura, como quadras esportivas, clubes sociais ou até durante treinos.

Além dos eventos em jogos, há ocorrências em treinos e atividades recreativas, muitas das quais não são documentadas. Isso mostra que o risco é constante e exige ações concretas de prevenção.

Educação e conscientização: o caminho para salvar vidas

A prevenção começa com informação. Dr. Fred defende que todos os praticantes de atividade física passem por avaliação médica antes de iniciar qualquer prática esportiva. Mesmo quem não possui plano de saúde pode utilizar o SUS e buscar uma avaliação básica nas Unidades de Saúde.

A educação também deve estar presente nas faculdades e clubes. Cursos de suporte básico de vida deveriam ser obrigatórios em instituições de ensino de educação física, medicina e odontologia, considerando que eventos cardíacos também ocorrem em consultórios, devido a fatores como estresse ou reações a medicamentos.

Conclusão: prevenir é cuidar

Em suma, a parada cardiorrespiratória pode acontecer com qualquer pessoa e em qualquer cenário. Por isso, preparar-se faz toda a diferença: reconheça os sinais, estruture o ambiente com DEA e treine sua equipe.

Por fim, o recado do Dr. Fred é direto: investir em conscientização, protocolos e capacitação é o caminho mais curto entre o risco e a vida preservada.

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