Por que ainda há tanta resistência em aceitar o diagnóstico e tratar a combinação entre insônia e apneia do sono?
A série especial do CMOS Cast sobre COMISA chega ao terceiro episódio com um tema indispensável para o sucesso clínico: a desconstrução de mitos e a educação do paciente.
Com a participação da Dra. Janaina Pacheco, especialista em Medicina do Sono, esta conversa mergulha nas crenças equivocadas que impedem o diagnóstico, portanto dificultam a adesão ao tratamento, mesmo quando os sintomas são evidentes.
Por que tantas pessoas ainda negam ou minimizam os sinais da COMISA?
A COMISA é frequentemente subestimada porque os sintomas — como cansaço, dificuldade para dormir, ronco e sonolência diurna — são normalizados pelo paciente, ou confundidos com “parte da rotina estressante”.
No entanto, segundo a Dra. Janaina, essa visão pode atrasar diagnósticos por anos, agravando o quadro clínico e elevando os riscos para doenças cardiovasculares, metabólicas e cognitivas.
📌 Para exemplificar: é comum que pacientes com insônia tenham vergonha de relatar que acordam várias vezes à noite e sentem falta de ar — o que pode indicar apneia não percebida.
Principais mitos sobre COMISA que precisam ser superados
Durante o episódio, abordamos cinco mitos comuns que atrapalham o reconhecimento e o cuidado adequado com a COMISA:
- “Se eu ronco, é só cansaço.”
→ Erro comum. Ronco pode ser sinal de apneia obstrutiva do sono, especialmente se for alto e irregular. - “Insônia é coisa da mente, não do corpo.”
→ Insônia tem múltiplas causas, incluindo alterações neurológicas e hormonais. E pode coexistir com apneia. - “CPAP é desconfortável, não quero usar.”
→ Na verdade, com o modelo e ajuste corretos, o CPAP é tolerável e eficaz, sendo padrão-ouro para tratar apneia. - “Dormir mal faz parte da idade.”
→ Consequentemente, muitos idosos negligenciam sintomas graves por achar que é “normal”. Mas não é. - “Já fiz exames e não deu nada.”
→ É preciso o exame certo: apenas a polissonografia noturna completa pode confirmar ou excluir apneia com precisão.
Como melhorar a comunicação com o paciente sobre COMISA
A Dra. Janaina enfatiza que a linguagem técnica, quando não traduzida, afasta o paciente do diagnóstico. Por isso, profissionais de saúde devem:
- Utilizar explicações simples com analogias do dia a dia
- Validar os sintomas relatados, sem julgamento
- Esclarecer o funcionamento do CPAP e os benefícios reais
- Envolver familiares no processo, quando possível
- Mostrar evolução com dados concretos (ex: relatórios de sono)
📌 Em resumo: o tratamento começa com uma conversa clara, empática e fundamentada.
A importância da educação continuada em Medicina do Sono
Assim como em outras áreas da saúde, o conhecimento sobre distúrbios do sono evolui constantemente. Portanto, é essencial que:
- Profissionais da saúde se mantenham atualizados sobre condições combinadas como COMISA
- Clínicas invistam em protocolos que integrem educação, diagnóstico e reavaliação frequente
- Empresas incluam sono e bem-estar em programas corporativos
📌 Por exemplo, empresas com alto índice de absenteísmo por fadiga têm se beneficiado de campanhas internas sobre higiene do sono e triagens clínicas simples.
Conclusão
Em conclusão, tratar COMISA exige mais do que aparelhos e medicamentos — exige educação, empatia e vigilância ativa. Os mitos em torno da insônia e da apneia ainda são barreiras reais, mas podem (e devem) ser superados com diálogo baseado em evidências.
👉 Se você é profissional da saúde, compartilhe este episódio com seus pacientes. Se você é paciente, saiba: dormir bem não é luxo — é necessidade.
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