Quer se especializar na área de fisioterapia do sono?
No capítulo final do Episódio #1 do CMOS CAST, a fisioterapeuta respiratória do sono Flávia Nerbass compartilha os caminhos, desafios e oportunidades para quem deseja se aprofundar nessa área tão importante e em crescimento constante.
Veja o vídeo para informações relevantes sobre formação, oportunidades e como fazer a diferença na vida dos pacientes. Confira o resumo abaixo com os principais destaques.
A trajetória profissional de uma Fisioterapeuta do Sono
Dra. Flávia sempre soube que queria atuar na área da saúde, mas a escolha pela fisioterapia foi intuitiva. Formada no interior de Santa Catarina, decidiu se especializar em fisioterapia respiratória em São Paulo, no Instituto do Coração (InCor) da Faculdade de Medicina da USP.
Foi lá que teve seu primeiro contato com a fisioterapia do sono, através do Dr. Geraldo Lorenzi Filho, referência nacional na área. Esse encontro transformou sua percepção sobre a importância do sono na saúde e impulsionou sua carreira.
O despertar para a importância do sono
Durante sua especialização, Dra. Flávia percebeu um padrão intrigante: pacientes que, durante o dia, conseguiam ficar sem oxigênio, mas à noite precisavam novamente do suporte. Esse comportamento a levou a investigar mais a fundo os distúrbios respiratórios relacionados ao sono.
Foi então que buscou voluntariado no Laboratório do Sono do InCor, onde iniciou pesquisas e desenvolveu sua dissertação de doutorado. Segundo ela, “foi meio que por encantamento, talvez um propósito de vida”.
O papel da oximetria noturna
Um dos campos que a Dra. Flávia mais explora atualmente é a oximetria noturna — avaliação da hipoxemia durante o sono, mesmo após a apneia do sono estar tratada. Essa técnica permite identificar episódios de baixa oxigenação que podem comprometer a saúde a longo prazo.
De acordo com a American Thoracic Society, a monitorização da oximetria noturna é fundamental no diagnóstico e acompanhamento de distúrbios respiratórios do sono.
A expansão da fisioterapia do sono
De um nicho pouco explorado, a fisioterapia do sono evoluiu para uma área consolidada de atuação. Atualmente, o mercado é amplo, com possibilidades de atuação em clínicas, laboratórios do sono, docência, pesquisa, indústria e consultoria.
Dra. Flávia, juntamente com suas sócias, fundou a “Fisioterapeutas do Sono”, empresa que promove cursos de capacitação para profissionais que desejam atuar na área. “O mercado de trabalho para fisioterapia do sono é muito aberto, muito amplo. Você pode trabalhar com inúmeras coisas”, afirma.
Capacitação e regulamentação
A fisioterapia do sono é reconhecida como área de atuação pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO), segundo a Resolução nº 536/2021. Para atuar formalmente na área, o fisioterapeuta precisa comprovar:
80 horas de formação teórica em diversos temas relacionados
40 horas de prática supervisionada
Embora ainda não seja uma especialidade reconhecida, a área avança rapidamente em regulamentação e estruturação.
O sono como um oceano azul
Dra. Flávia destaca que o sono é um campo com vasto potencial de pesquisa e atuação: “O sono ainda é um oceano azul, com muita coisa para ser explorada”. Mesmo que o profissional não queira se especializar exclusivamente nessa área, é fundamental compreender seu impacto transversal em todas as especialidades da fisioterapia.
“Todo mundo dorme. Então, todo fisioterapeuta precisa entender pelo menos o básico sobre o sono”, reforça.
Empreendedorismo na fisioterapia
Um dos pontos fortes da trajetória da Dra. Flávia é a visão empreendedora. Ela destaca que muitos fisioterapeutas não possuem formação em gestão, o que dificulta o desenvolvimento de clínicas e serviços próprios.
“Empreender é desafiador, mas necessário”, diz. Além de atuar na assistência clínica, ela também se dedica à formação acadêmica e à pesquisa, integrando o empreendedorismo empresarial com o acadêmico.
O impacto da fisioterapia do sono na saúde pública
Com a crescente valorização da fisioterapia respiratória, especialmente após a pandemia de COVID-19, o reconhecimento do fisioterapeuta como peça-chave no tratamento de distúrbios do sono se consolidou.
A demanda por profissionais capacitados deve crescer ainda mais. Estima-se que o mercado global de saúde do sono ultrapasse US$ 90 bilhões até 2030, impulsionado pela busca por tratamentos e tecnologias inovadoras.
Mensagem final para fisioterapeutas
Dra. Flávia finaliza com uma mensagem inspiradora: “Invista em você, no seu desenvolvimento pessoal e profissional. Conhecimento nunca ocupa espaço. Quanto mais você devolve para a sociedade, mais a sociedade devolve para você.”
Para ela, o fisioterapeuta deve buscar valorização, capacitação e estar aberto às diversas possibilidades que o mercado oferece, seja na clínica, na indústria, na pesquisa ou no ensino.
Conclusão
A fisioterapia do sono é uma área em plena expansão, com grande impacto na saúde pública e oportunidades crescentes para quem deseja inovar. Seja para atuar diretamente no tratamento de distúrbios respiratórios ou para integrar o conhecimento do sono em outras especialidades, capacitar-se é essencial.