Afinal, a apneia do sono pode estar ligada à sua ancestralidade? Segundo estudos moleculares, sim: diferentes grupos populacionais podem apresentar predisposições distintas ao distúrbio. Neste episódio, a Dra. Lurdinha explica como a genética influencia o risco, o diagnóstico e até a escolha do tratamento.
Entenda a ciência por trás da apneia e como a genética pode influenciar no diagnóstico e tratamento! Confira o vídeo com a entrevista completa e aproveite as dicas valiosas que a doutora nos traz.
Confira o vídeo com a entrevista na íntegra. Abaixo, um resumo com as informações e dicas principais.
O que é apneia do sono e por que você deve se preocupar
A apneia obstrutiva do sono (AOS) provoca pausas respiratórias durante o sono, reduzindo a oxigenação e gerando microdespertares. Como resultado, aumentam os riscos de hipertensão, arritmias, diabetes, AVC e mortalidade.
Além disso, estima-se que 1 em cada 3 adultos tenha AOS; em idosos, a prevalência chega a 60%. No Brasil, a condição é altamente prevalente. Um estudo publicado na The Lancet Respiratory Medicine reforça essa posição, destacando o impacto global da apneia do sono.
Sinais de alerta: como identificar a apneia do sono
Os principais sinais incluem:
- Antes de tudo, observe ronco alto e frequente;
- Depois, avalie sonolência diurna e fadiga;
- Além disso, verifique pausas respiratórias percebidas por terceiros;
- Por fim, note cefaleia matinal e déficits de memória/atenção.
Importante: alterações craniofaciais (ex.: retrognatia e maxila estreita) também elevam o risco — inclusive em crianças.
Crianças também sofrem com apneia do sono
Muitos pais não sabem, mas a apneia do sono infantil pode causar alterações cognitivas permanentes se não tratada precocemente. Fatores genéticos influenciam: filhos de pais com apneia têm até 40% mais chance de desenvolver o distúrbio.
Além da herança genética, questões ambientais, como uso prolongado de chupeta, alergias respiratórias, amígdalas e adenoides aumentadas, podem favorecer o problema.
Importante: quanto mais cedo o diagnóstico e o tratamento, maiores as chances de evitar complicações cognitivas e físicas.
O papel da odontologia do sono no tratamento
O CPAP (pressão positiva contínua nas vias aéreas) é considerado o tratamento padrão para apneia do sono. No entanto, nem todos os pacientes se adaptam a ele. A odontologia do sono oferece uma alternativa eficaz: o aparelho intraoral.
Esse dispositivo ajusta a posição da mandíbula e da língua, prevenindo o colapso das vias aéreas durante o sono, reduzindo significativamente o índice de apneia.
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Quando o aparelho intraoral é indicado?
O dispositivo avança a mandíbula e estabiliza a língua, evitando colapso faríngeo. Para isso, é confeccionado sob medida.
Entretanto, a indicação exige dentista com formação específica, capaz de interpretar exames e ajustar o dispositivo com segurança.
- Consulta com um médico do sono (otorrino, pneumologista, neurologista ou pediatra).
- Realização da polissonografia, exame que monitora o sono e identifica a gravidade da apneia.
- Encaminhamento ao dentista especialista em odontologia do sono, caso o aparelho intraoral seja indicado.
Atenção: o dentista precisa ter formação específica, pois esse tratamento vai além da simples moldagem de um dispositivo. É necessário interpretar exames como polissonografia, actigrafia e testes de latência do sono.
Como é o tratamento com o aparelho intraoral?
Após a indicação médica, o dentista especializado realiza:
- Avaliação odontológica completa
- Análise de radiografias
- Moldagem personalizada do aparelho
- Ajustes periódicos
- Reavaliação com nova polissonografia para verificar a eficácia
O objetivo é reduzir o índice de apneia para abaixo de 5 eventos por hora, elevando a saturação de oxigênio, tal como o CPAP.
O tratamento da apneia do sono é para a vida toda?
Na maioria dos casos, sim. O uso contínuo do aparelho intraoral, assim como a prática de exercícios fonoaudiológicos, é essencial para manter o controle da apneia. Entretanto, há exceções, como pacientes que perdem peso de forma significativa e conseguem controlar a apneia.
Ainda assim, é imprescindível manter o acompanhamento médico regular, pois o envelhecimento e a flacidez natural das vias aéreas podem provocar o retorno do problema.
Por que o Brasil está entre os países com mais apneia?
A combinação de fatores genéticos, traços craniofaciais, ambiente urbano (alergias/poluição), obesidade e subdiagnóstico explica a alta prevalência. Portanto, triagem, educação e acesso ao tratamento são prioridades.
Apneia do sono e a importância do diagnóstico correto
Embora muitos pacientes procurem diretamente um dentista ao perceber sinais como ronco, o ideal é buscar primeiro um médico do sono. Isso evita que causas mais graves sejam mascaradas, como tumores na faringe.
Após o diagnóstico médico, o tratamento pode incluir:
- CPAP
- Aparelho intraoral
- Fonoaudiologia
- Cirurgias (realizadas por otorrinos ou cirurgiões bucomaxilofaciais)
A odontologia do sono é um trabalho multidisciplinar
O sucesso no tratamento da apneia do sono depende da atuação conjunta de diversos profissionais: médicos, dentistas, fonoaudiólogos, nutricionistas e psicólogos.
Esse trabalho em equipe assegura que o paciente tenha mais qualidade de vida, sono reparador e redução de riscos à saúde.
Conclusão
A apneia do sono é comum, séria e tratável. Assim, genética e ancestralidade ajudam a personalizar o cuidado. Se houver sinais, procure um médico do sono; quando indicado, a odontologia do sono com aparelho intraoral e ajustes precisos é aliada potente.