DEA salva vidas em esportes amadores e fitness centers
Um estudo com 18 anos de dados mostrou algo expressivo: a sobrevivência a uma parada cardíaca em centros esportivos com DEA chegou a 93%. Nos locais sem o equipamento, esse número foi de apenas 9%. Pesquisadores conduziram o estudo, batizado de Progetto Vita, na região de Piacenza, na Itália, e o apresentaram no Congresso Europeu de Cardiologia.
O que mostrou o estudo Progetto Vita?
O estudo acompanhou 252 centros esportivos amadores ao longo de 18 anos. Durante esse período, 207 deles (82%) adquiriram um DEA. Os outros 45 (18%) não tinham o equipamento.
Nesse período, ocorreram 26 paradas cardíacas súbitas nesses centros. Dessas, 15 aconteceram em locais já equipados com DEA. Os resultados foram expressivos:
- O tempo até o primeiro choque caiu de 7,3 para 3,3 minutos nos centros com DEA.
- A sobrevivência sem sequelas neurológicas foi de 93% nos locais com DEA, contra 9% nos locais sem o equipamento.
- Dos 15 pacientes atendidos em centros com DEA, 14 sobreviveram sem dano neurológico.
Por que atletas correm mais risco de parada cardíaca?
Paradas cardíacas acontecem com mais frequência em centros esportivos do que em ambientes gerais. Isso acontece por conta do estresse extra que o exercício físico impõe ao coração. Segundo o Dr. Diego Penela, cardiologista do Hospital Guglielmo da Saliceto, em Piacenza, e principal autor do estudo, atletas têm cerca de três vezes mais chance de sofrer uma arritmia fatal do que não atletas.
“A morte cardíaca súbita é uma das principais causas de morte na Europa, afetando mais de 300 mil pessoas por ano. A chance de sobrevivência diminui a cada minuto sem desfibrilação”, afirmou Penela.
Vale destacar um ponto importante: a morte de um atleta profissional costuma ganhar as manchetes, mas a maioria dos casos acontece durante a prática recreativa. Ou seja, o risco também está presente para quem frequenta uma academia comum.
O que os especialistas recomendam
Para a Dra. Daniela Aschieri, à frente do Progetto Vita, dois fatores fazem diferença direta na sobrevivência: a rapidez com que alguém usa o DEA e quem o usa. “Quanto mais rápido o DEA foi usado, maior a chance de sobrevivência. Além disso, a probabilidade de sobrevivência foi maior quando um membro do público usou o DEA em vez de esperar por assistência médica”, explicou.
Aschieri reforça ainda que o equipamento é seguro mesmo nas mãos de quem nunca precisou usá-lo antes: “Um DEA é uma ferramenta segura, mesmo quando usado por um leigo treinado. À luz de nossos resultados, recomendamos que os DEAs sejam adquiridos por esportes amadores e centros de fitness, junto com programas educacionais para aumentar a conscientização sobre a morte súbita e o uso do equipamento.”
O que isso significa para academias e centros esportivos no Brasil
Os números do Progetto Vita refletem uma lógica que vale para qualquer país. O tempo até o primeiro choque é o que mais pesa na sobrevivência a uma parada cardíaca. Por isso, é essencial que academias, clubes e centros esportivos brasileiros contem com um DEA disponível. Também é fundamental ter uma equipe treinada para usá-lo, independentemente de exigência legal específica no seu município ou estado.
A CMOS Drake é pioneira em DEA na América Latina. A empresa oferece o DEA Alive, com orientação por voz e feedback de RCP. Assim, qualquer pessoa treinada pode agir nos minutos que fazem a diferença entre a vida e a morte.
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Fontes:
PMC/National Library of Medicine — Improved Survival With Automated External Defibrillator-Only Training in a Public-Access Defibrillation Program: 23-Year Database Analysis of Progetto Vita
European Society of Cardiology (ESC) — Automatic external defibrillators save lives in amateur sports and fitness centres